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A Era da Frugalidade

| Geral, Realidade | 11 de setembro de 2009

Luxo é um conceito adaptável às circunstâncias. Na Idade Média, luxo era ter sapatos fechados. No deserto, luxo é um copo d´água.

Atualmente, com o mundo repensando a relação com a natureza e a natureza do desenvolvimento econômico, arquitetos e decoradores estão cada mais mais preocupados em criar novos conceitos para o luxo. Se há pouco tempo o luxo era um armário de madeira nobre e quadros em molduras folheadas a ouro, agora, os projetos ditos luxuosos investem matérias-primas certificadas e soluções simples, mas que refletem preocupação com o meio ambiente e com a funcionalidade.

Em uma palavra, o luxo, que já esteve próximo do esbanjamento, virou frugalidade. A sobriedade e a moderação são os valores mais refletidos nas últimas mostras arquitetônicas do país. A decoração que investe em jardins internos tem superado os projetos onde quadros e esculturas caríssimas ganham destaque. Mais do que demonstrar que o cliente pode se dar ao luxo de viver cercado de objetos bonitos e caros, os arquitetos estão buscando alternativas para mostrar que seus clientes estão preocupados com o futuro do planeta. Os metais nobres estão dando lugar à madeira de reflorestamento. As obras de arte abrem espaço para composições bem boladas de materiais reciclados.

Mudaram os valores. Os custos, no entanto, nem sempre são menores. Claro que madeira certificada custa menos do que uma peça de jacarandá da Bahia, mas decoradores e arquitetos cobram pelo serviço de encontrar materiais bonitos e sustentáveis e transformá-los em itens decorativos. Antigamente, um armário de madeira-de-lei se destacava por seus veios e nós, uma beleza intrínseca à matéria-prima, mesmo que não fosse um desenho primoroso e funcional. Hoje, as peças se destacam pelo design, e não pelo material em estado bruto. Nesta nova era, a beleza vem do raciocínio do homem sobre os objetos e sobre como eles podem se tornam funcionais e esteticamente atraentes, sem que prejudiquem o meio ambiente. Transformar lixo reciclado em obra de arte segue o mesmo processo: o artesão pode cobrar menos que um escultor famoso, mas enxergar beleza em matéria-prima barata é um valor que também pode custar caro.
Bem-vindo à Era da Frugalidade.

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