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O clássico que abraça

de admin | Sexta, 11 de Setembro de 2009

Um turista que desembarcar no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, em um domingo de Grenal, considerado por muitos o maior clássico do futebol brasileiro, será surpreendido por bares repletos. É cedo, mas colorados e gremistas fardados disputarão cada mesa disponível como de fosse a última bola do jogo.

No horário do almoço, as churrascarias estarão abarrotadas de clientes aflitos, preocupados em pagar a conta o mais rápido possível na tentativa de chegar ao estádio, que estará lotado, para acompanhar o clássico centenário. Se passar pelos parques da cidade, o turista verá tricolores e alvi-rubros em igual número desfilando com as cores do clube. No táxi, o condutor perguntará sobre a preferência futebolística do turista e o passageiro não terá alternativas senão declarar paixão pelo vermelho ou pelo azul, sem desculpas ou atenuantes.

O turista provavelmente visitará um amigo e será convidado para assistir o jogo pela televisão. Será cortejado pelos demais convidados, empenhados em convencer o visitante a se apaixonar por Grêmio ou Internacional. É provável que receba mimos como uma camiseta oficial - possivelmente de ambos os clubes. A casa estará lotada de torcedores, a gordura da carne pingando sobre a brasa, cervejas empilhadas na geladeira, e não haverá outro assunto, apenas um intenso debate a respeito de esquemas táticos, como se todos os convidados estivessem na casamata.

Muito se fala sobre a violência entre torcidas, mas, para cada ato hostil, milhares de torcedores convivem em harmonia para esquecer da vida e afiar a lábia sobre o Grenal. O clássico enche restaurantes, agrupa amigos, cria o ambiente para um bate-papo entre desconhecidos. Não fosse a rivalidade, muitos porto-alegrenses adiariam os planos de abrir a casa para os torcedores, optando por um domingo em família. O clássico abraça todos que se encontram no território de Porto Alegre, residentes ou visitantes.

Fim de jogo. Atordoado pela intensidade da partida, visitante será convidado para conhecer novos amigos, reunidos para falar do resultado. Novamente, será intimado a declarar paixão por um clube e a conversa se estenderá até a janta. Se permanecer em Porto Alegre na segunda-feira, o visitante será abordado pelo porteiro do hotel sobre o placar final. No elevador, terá uma conversa de 15 segundos com desconhecidos a respeito da arbitragem de domingo. O funcionário da companhia aérea estará vestindo um broche vermelho ou azul no check-in.

O visitante chegará em casa e será perguntado sobre Porto Alegre. Responderá que viu o maior ponto do turístico da cidade, um monumento que não se toca, uma paisagem presente em todos os cantos, difícil de fotografar. “Vivi o Grenal”, dirá.

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