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Solidariedade que encanta

| Geral | 11 de setembro de 2009

Grandes gestos impressionam as pessoas. A doação em larga escala, seja de tempo ou dinheiro, provoca reações de espanto. Diante de tamanho espírito altruísta, as pessoas se perguntam: como o doador pôde se desfazer de tanto – seja tempo ou dinheiro – em benefício dos outros?
Ainda que os grandes gestos sejam úteis, algumas pessoas podem se sentir diminuídas diante deles. É raro o cidadão comum dispor do tempo ou do dinheiro necessário para promover grandes gestos que podem mudar a vida das pessoas, quiçá ajuda a mudar o mundo. Como consequência, se sentem impotentes, como se não valesse o esforço de agir na incapacidade atingir a grandiosidade dos grandes atos.
Mas existe um outro tipo de solidariedade que também funciona: a dos pequenos gestos. É verdade que os pequenos gestos não impressionam as pessoas. Mas segurar a porta do elevador, ou ajudar uma senhora a carregar a sacola do supermercado, são atos que encantam. Na essência, os pequenos gestos – que vão de uma pequena doação em dinheiro a uma gentileza cotidiana – diferem dos grandes atos por um detalhe quase imperceptível: ao contrário dos grandes gestos, os pequenos são infinitos.

Os grandes gestos de solidariedade podem ser realizado somente algumas vezes, sob o custo de prejudicar o próprio benfeitor. Mas não existe limites para os pequenos gestos. Além disso, as pequenas doações têm efeitos benéficos que irradiam pela sociedade. Cada gentileza provoca uma sensação de bem estar que incentiva o beneficiado a passar o gesto adiante, iniciando uma verdadeira corrente do bem.

O pequeno ato de solidariedade encanta porque concentra a atenção do doador num único (ou pequeno grupo) de beneficiados. E a sensação de se sentir especial, mesmo que por somente um instante, tem um poder revolucionário. Um poder que a sociedade precisa redescobrir.

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